Mitos e Verdades em Quadril

Decidi escrever um pouco sobre Mitos e Verdades em Quadril, principalmente para aquelas dúvidas mais perguntadas por pacientes no consultório.

Com o crescente interesse sobre o tema e talvez numa busca não tão especializada nos meios de comunicação, muitos questionamentos acabam acontecendo, naturalmente.

Portanto, abordarei alguns tópicos mais comentados:

 

1) Terapias com PRP e Células-Tronco:

Muitos pacientes que nos procuram com Artrose no Quadril, perguntam sobre alternativas não-cirúrgicas para sua dor. Como descrevi em “Áreas de Atuação – Tratamento Não-cirúrgico da Artrose”sempre deve ser tentado no início do tratamento alternativas que atenuem o desencadeamento de dor pela destruição da articulação. Mudanças nos hábitos de vida como diminuição de peso, uso de suportes para deambulação (bengalas, muletas, andadores) e uma diminuição do trauma articular (por exemplo evitar exercícios de alto impacto) são eficazes no início. Para dor, pode-se usar analgésicos e/ou anti-inflamatórios, de acordo com o grau.

Porém, com a manutenção do quadro álgico por algumas semanas, não existirá outra alternativa a não ser a troca da articulação (Artroplastia) para o efetivo tratamento da dor e incapacidade física geradas.

Não existe cura desta patologia. A tendência é de piora evolutiva. O uso de terapias como Plasma Rico em Plaquetas (PRP) e/ou Células-Tronco não possuem comprovações científicas nos estudos atualizados para seu uso, ou seja, não possuem resultados efetivos no combate definitivo da dor e na regeneração da cartilagem, principalmente a longo prazo. São considerados tratamentos experimentais.

 

2) Diferenças de comprimentos dos membros após Artroplastia de Quadril:

Também existe uma preocupação muito grande, principalmente em mulheres, na possibilidade de diferenças de tamanho entre os membros inferiores no pós-operatório de Artroplastias do Quadril.

Sempre é nosso desejo equalizar os membros, mas o principal objetivo numa Artroplastia é devolver a qualidade de vida ao paciente, tirando-o da dor. E para isso faz-se necessário termos uma prótese bem posicionada e estável.

Logo não podemos comprometer a cirurgia e seus componentes por causa de uma possível diferença de comprimento. Trabalhos demonstram que até 20 milímetros (2 cm) de diferença entre os membros não implicam necessariamente em consequências negativas para as articulações adjacentes, sendo inclusive observadas diferenças em pacientes normais (não-operados) e que vivem bem e sem saber disso. Atletas de alta performance já foram avaliados e detectadas tais diferenças e mesmo assim foram campeões! Logo, não há motivo para esse tipo de preocupação.

Caso alguma diferença produza desconforto inicialmente, esta pode ser minimizada à longo prazo. Reavaliações seriadas devem ser feitas e adaptações podem ser esperadas por um período mínimo de até 6 meses após a cirurgia. Contra-indicamos compensações com palmilhas na fase inicial.

Portanto, essa não deve ser uma preocupação primordial!

 

3) O mini-acesso em Cirurgia de Quadril:

O mini-acesso não deve ser também sua maior preocupação em cirurgias.  O melhor acesso é aquele que a cirurgia seja bem realizada no menor tamanho possível para a perfeita execução do procedimento.

Houve uma tendência benéfica há alguns anos pela diminuição do tamanho do acesso, porém isso não pode comprometer a implantação dos componentes!

Existem diversos acessos cirúrgicos ao Quadril e a escolha de alguma via de acesso pode ser decidida por fatores anatômicos, devendo ser sempre discutidas previamente ao procedimento.

 

4) Próteses do tipo Metal x Metal:

Os componentes do tipo Metal x Metal continuam sendo usados, mas com indicações mais precisas.

Ocorreram problemas em Próteses do tipo Recobrimento (Resurfacing) de determinadas empresas e em Próteses do tipo LDH (Cabeças de Grande Diâmetro).

O conceito do Recobrimento e do LDH baseia-se em uma articulação de maior amplitude de movimento e de maior capacidade de suportar impacto, onde o entusiasmo inicial foi de permitir a prática desportiva e a maior expectativa em relação a durabilidade da Prótese.

Esta indicação ainda existe, porém em casos mais selecionados.

Os problemas do Metal x Metal não parecem ser importantes nas articulações com cabeças de 28 e 32 mm. Porém, o Recobrimento e o LDH possuem cabeças que variam do 46 a 56 mm. Nestas, os metais utilizados (Cromo e Cobalto) podem ser dosados na circulação e avaliados se estão acima do normal, mas principalmente nos pacientes que apresentem problemas como dor, claudicação ou abaulamento na região do quadril. Estes podem portanto serem examinados e reavaliados com maior frequência.

Se você realizou uma Artroplastia de Quadril deste tipo, não se preocupe. Procure seu médico para maiores informações e acompanhamento com radiografias e dosagens desses metais no sangue.

Para maiores informações, entrem em contato conosco.

 

5) Novas Próteses de Quadril:

Já estão no mercado as novas Próteses de Quadril chamadas Metafisárias e que além da função de substituição da articulação doente são componentes menores, promovendo assim uma maior preservação do estoque ósseo, fundamental quando pensamos em possíveis revisões futuras.

Diversas empresas já importam esse tipo de implante.

Assim como a articulação do tipo Cerâmica x Cerâmica também está em constante evolução, permitindo uma durabilidade cada vez maior nas cirurgias.

 

HASTE METAFISÁRIA

 

NOVAS ARTICULAÇÕES EM CERÂMICA