Manual do Paciente

O que somos?

Uma equipe voltada para o tratamento de excelência em Ortopedia e Endocrinologia. Nossas áreas de atuação incluem cirurgias ortopédicas de alta complexidade, metabologia e clínica médica. Para tal, possuímos diversas especializações médicas e estamos em constante aprimoramento técnico e científico. Nossos colaboradores, anestesistas, médicos-auxiliares, instrumentadora cirúrgica, nutricionista e fisioterapeutas são altamente capacitados e de nossa extrema confiança, contribuindo muito para o sucesso e resultados obtidos.

Portanto, sinta-se acolhido por essa equipe multi-profissional e boa sorte!

 

 

MANUAL DO PACIENTE CIRÚRGICO:

 

O PRÉ-OPERATÓRIO

 

Após o diagnóstico da patologia e indicação da cirurgia, alguns passos deverão ser seguidos.

Quando solicitado a cirurgia, é necessário aguardar a liberação do procedimento e do material para agendamento cirúrgico no hospital. Isso pode demorar alguns dias, dependendo do plano de saúde.

Na consulta de decisão pela cirurgia, entregamos um Têrmo de Consentimento Informado, elaborado especificamente para informar a cirurgia indicada, a patologia diagnosticada, o procedimento que será realizado, assim como os deveres do paciente.

Este deverá ser lido e assinado em ambas as vias, devendo ser levado para casa para leitura, e trazido no dia da cirurgia.

Já em relação aos cuidados pré-operatórios, os pacientes devem passar por uma avaliação clínica/cardiológica para liberação do risco cirúrgico.

Especificamente para o procedimento cirúrgico, pedimos para que não sejam raspados os pelos do local da cirurgia e que sejam realizados banhos com sabonetes bactericidas, para diminuir a quantidade de germes da pele.

Solicitamos que seja providenciado pelo paciente alguns itens específicos de cada cirurgia proposta, que serão explicados no momento da indicação cirúrgica, como muletas, expansores de acento e etc.

Desenvolvemos também novos protocolos pré-operatórios que poderão ser implementados em algumas situações, como treino de marcha e orientações preventivas mais detalhadas sobre a condição pós-operatória.

Possivelmente, maiores dúvidas e questionamentos existirão. Isso é normal!

Nos colocamos à disposição nas consultas ou pelos meios de comunicação divulgados para maiores esclarecimentos.

E principalmente, não se preocupe tanto!!!

 

O PERÍODO HOSPITALAR

 

Solicitamos que chegue no hospital pelo menos 2 horas antes do procedimento, e em jejum de 8 horas, inclusive para líquidos.

Também solicitamos que traga TODOS os exames solicitados (clínicos e de imagens), assim como os acessórios previamente acordados dependentes do tipo de cirurgia (ex. muletas, triângulos abdutores, etc).

Preferimos que a primeira noite pós-operatória em cirurgias de grande porte seja passada no CTI, nos confortando com uma maior segurança e assistência médica especializada.

Na maioria dos casos, somente uma noite é necessária. No caso de artroscopia e cirurgias de pequeno e médio porte geralmente isso não é necessário. Em Revisões de Artroplastia de Quadril, pode-se precisar de mais de uma noite. Vale lembrar que esta permanência é dependente de sua condição clínica!

Pode ocorrer transfusão sanguínea de uma ou mais bolsas nas cirurgias de grande porte, sendo seu uso analisado após criteriosa avaliação clínica da equipe. Também aqui implementamos um novo protocolo que poderá ser discutido previamente.

Usualmente solicitamos a realização de fisioterapia motora no dia seguinte da cirurgia, com protocolo específico e fisioterapeuta própria da equipe.

Estimulamos também a realização de exercícios anti-trombose venosa e o uso de compressores de panturrilhas, caso o hospital possua, nas cirurgias em que o paciente deva ficar acamado.

A alta hospitalar é condicionada à critérios clínicos, e tem sido realizada na maioria dos casos entre 3 a 6 dias após cirurgias de grande porte.

Não há necessidade de transporte domiciliar por ambulâncias, exceto em pacientes com condições clínicas debilitantes, cujo suporte será melhor fornecido por tal meio. Fora isso, todos podem tranquilamente ir para casa com as devidas restrições já orientadas.

 

TRIÂNGULO ABDUTOR JÁ DEVE SER LEVADO PARA O HOSPITAL

LEVAR TODOS OS EXAMES PRÉ-OPERATÓRIOS SOLICITADOS, INCLUSIVE AS RADIOGRAFIAS!

 

 

O PÓS-OPERATÓRIO 

 

Além do ato cirúrgico em si, umas das grandes preocupações dos pacientes, é com o pós-operatório, principalmente em Próteses.

Mas não se preocupe! As orientações são simples. Basta seguir o que será explicado a seguir. Em nosso novo protocolo, forneceremos também as orientações previamente ao ato cirúrgico, inclusive com treinamento de marcha prévio nos casos das artroplastias. E tudo que for explicado antes, durante e depois do procedimento, será entregue por escrito.

O principal é saber que o período de maior precaução é de 6-8 semanas após a cirurgia, tempo médio de cicatrização dos tecidos ósseos, musculares e tendinosos.

Começamos as orientações básicas dizendo principalmente o que o paciente não pode fazer.

 

O que não se pode fazer: As 3 coisas básicas:

 

1– Evitar carga total no membro operado, ou seja, não pode colocar peso na perna operada sem apoio! O tipo de auxílio a marcha depende muito do gosto de cada paciente (Muletas ou Andador) mas o Andador permite menor mobilidade com maior apoio, ou seja, menor uso de força mas menor liberdade de movimentos. Deve ser levado quando o paciente tiver alta para o quarto do CTI.

2– Evitar grandes amplitudes de movimentos. Logo, independente da via de acesso cirúrgico utilizada, não é adequado forçar grandes mobilidades nessa articulação (exemplo, cruzar as pernas, dobrar/fletir demasiadamente, abrir/abduzir em excesso).

3– Evitar atitudes de risco. Sentar em cadeiras/bancos baixos, não dirigir, evitar trabalhar precocemente pelos riscos inerentes do cotidiano, ter cuidados com tapetes, chão molhados. Ou seja, tudo que possa levar a situações de queda, esforços e traumas.

 

RESUMINDO:

 

  • NÃO PODE “DOBRAR” DEMAIS O QUADRIL.
  • NÃO PODE CRUZAR AS PERNAS
  • NÃO PODE ANDAR SEM APOIO.

 

A partir dessas orientações, fica mais fácil responder à todas as perguntas (e sempre são muitas) sobre sua recuperação.

É muito importante salientar também o papel da Fisioterapia na reabilitação, fornecendo orientações preciosas na prevenção de problemas, no fortalecimento muscular e no treinamento de marcha para o melhor resultado pós-operatório.

MULETAS CANADENSES
ANDADOR

 

Lembretes:

 

O treinamento de marcha poderá ser treinado antes da cirurgia, mas com certeza será realizado no hospital no pós-operatório, sendo umas das condições ortopédicas principais para alta hospitalar: Conseguir deambular sem problemas.

O uso de Muletas ou Andadores são fundamentais para o apoio na marcha, sob risco de complicações caso não respeitado seu uso, de acordo com nossas orientações.

Quando retornar à sua casa, deve-se ter cuidado com tapetes, chãos escorregadios ou molhados, sob risco de quedas e possíveis complicações (fraturas, luxações).

Os curativos devem ser trocados diariamente, preferencialmente após o banho, evitando-se molhar o mesmo. Usar luva para procedimento, gaze estéril, soluções alcoólicas e adesivo hospitalar.

O retorno ao consultório deve ser entre 2 a 3 semanas após a cirurgia, para retirada dos pontos e demais orientações.

Normalmente, é solicitado fisioterapia domiciliar 2 a 3 vezes por semana para retorno gradual às funções.

Respeite as primeiras semanas e nossas orientações!!! Isto evitará possíveis problemas.

É muito comum a sensação de diferença de comprimento dos membros no retorno à marcha, principalmente nos casos de importantes deformidades prévias. A adaptação pode levar algumas semanas.

Por fim, cada caso é um caso, logo as orientações serão especificamente avaliadas e fornecidas.

 

 

Considerações finais:

 

  • Todas as cirurgias propostas devem ser reavaliadas numa nova consulta, com avaliação clínica também.
  • O risco cirúrgico pode ter em alguns casos uma avaliação cardiológica.
  • Em todas as cirurgias será fornecido um Termo de Consentimento Informado que deverá ser assinado e entregue antes da cirurgia.
  • Podemos indicar uma avaliação fisioterápica e nutricional prévia também, caso desejado e necessário.
  • Nas cirurgias indicadas, lembrar do jejum de 08 horas antes de cirurgia (inclusive para líquidos).
  • Chegar no local indicado para o procedimento com pelo menos 02 horas de antecedência, trazendo TODOS os exames solicitados e o Termo de Consentimento assinado.
  • TODAS ESSAS INFORMAÇÕES SERÃO ENTREGUES! NÃO SE PREOCUPE EM GRAVÁ-LAS OU COPIÁ-LAS.

 

PARA MAIORES INFORMAÇÕES, ENTREM EM CONTATO CONOSCO!

 

 

INFORMAÇÕES ADICIONAIS SOBRE A ANESTESIA

 

Por Dr. José Carlos de Mello*

 

De todas as especialidades médicas, aquela que envolve mais mistério é a anestesia.

Envolta numa bruma de falsos conceitos e antigos dogmas, o desconhecimento do que se passa quando o paciente é anestesiado é o grande responsável por este medo.

A palavra “ANESTESIA” deriva do grego e significa “ausência de sensações”; trata-se de um estado induzido por medicamentos, que torna possível a execução de procedimentos terapêuticos e diagnósticos sem dor.

A maioria das pessoas associa a palavra anestesia à anestesia geral, contudo a anestesia pode ser geral, regional, local ou sedação.

Muitas vezes, estes tipos de anestesia podem ser combinados entre si. A anestesia é uma das especialidades mais recentes, tendo sido o primeiro anestésico (medicamento usado para anestesiar administrado em Boston, em 1846 por William Morton.

O anestesiologista, correntemente chamado de anestesista, é um médico que, após concluir a sua formação geral na prática da Medicina, fez uma especialização durante pelo menos 3 anos.

Segundo a definição da União Europeia dos Médicos Especialistas e do ponto de vista técnico, Anestesiologia é uma especialidade em que os seus elementos são peritos nas áreas de anestesia, medicina intensiva, dor aguda, dor crônica e reanimação.

 

TIPOS DE ANESTESIA:

A anestesia geral (situação em que o paciente permanece inconsciente durante todo o procedimento) envolve a administração de fármacos capazes de produzir inconsciência e analgesia, via inalatória (através dos pulmões) (gases) ou via endovenosa (pelas veias).

A respiração é controlada através da colocação de uma máscara facial ou de um tubo através das vias respiratórias.

Os músculos podem ser paralisados a fim de reduzir a tensão muscular e permitir ao cirurgião melhores condições de trabalho, sendo a ventilação assegurada por um respirador mecânico.

Geralmente, realiza-se uma indução endovenosa e utiliza-se a via inalatória para a manutenção da anestesia.

No final da intervenção, o anestesista procede à reversão de alguns dos fármacos utilizados, até que o paciente recupere o estado de consciência ainda na sala operatória.

A anestesia regional consiste na administração de um anestésico local num ramo nervoso, insensibilizando a região do corpo por este inervada (essa área fica entorpecida por bloqueio do impulso nervoso), com o paciente acordado ou ligeiramente adormecido, mas facilmente despertável quando chamado.

Esta técnica popularizou-se com a anestesia epidural, mas também podem ser realizadas raquianestesia ou bloqueio de nervo periférico, de acordo com o local onde se injeta o anestésico.

Bloqueio anestésico pode, basicamente, ser:

 

Raquianestesia (Raqui):

É a famosa “anestesia nas costas” que por vezes causa apreensão ao paciente. A raquianestesia, tal como hoje é executada, é um procedimento de alta segurança, não sendo necessário que o paciente tome vários medicamentos diferentes para conseguir a anestesia.

Ela é aplicada colocando o paciente deitado de lado. A seguir é passado álcool ou outra substância anti-séptica nas costas do paciente. Colocamos então um campo estéril para evitar infecções.

É feita uma anestesia local na pele com uma pequena agulha de vacina para que o paciente não venha a sentir dor.

Por fim, é feita a anestesia propriamente dita que levará o paciente a ficar sem sensibilidade e movimentos da cintura para baixo, o que possibilitará a execução da cirurgia nesta área.

Esta sensação irá perdurar por algum tempo após a cirurgia, na dependência da dose anestésica e sensibilidade do paciente.

Embora altamente segura a raquianestesia pode, em raros casos, provocar dor de cabeça que cede ao uso de medicação adequada.

É falsa a idéia que a raquianestesia pode causar problemas sexuais (impotência) em homens, ou dor nas costas.

 

Anestesia Peridural:

É basicamente igual a raqui, sendo que ao contrário desta, não produz perda total dos movimentos e da sensação de tato, o que por vezes pode ser confundido com dor. Como a raqui, também não causa impotência sexual ou dores nas costas.

 

Bloqueio de Nervos Periféricos:

Na altura do pescoço, punho, tornozelo, joelho e virilha passam nervos que podem ser alvos de anestesia, o que possibilita a cirurgias nas áreas por eles inervadas ou uma analgesia pós operatória de maior duração como uso de menos medicação analgésica e início precoce de fisioterapia.

 

Anestesia local:

Um anestésico é injetado na pele e tecidos moles circundantes à zona que se pretende operar, sendo restrita a área que permanece entorpecida.

A sedação consiste no uso de fármacos anestésicos ou semelhantes em pequenas doses permanecendo o paciente adormecido e sem dor, mantendo a sua autonomia respiratória e, na maioria das vezes, não recordando nada do procedimento realizado.

 

Observações importantes:

Qualquer que seja a técnica anestésica escolhida, o anestesista permanece ao lado do paciente durante toda a intervenção, monitorizando os seus sinais vitais (eletrocardiograma, tensão arterial, saturação de oxigênio – corresponde a uma relação percentual entre a quantidade de oxigênio existente no sangue e a capacidade do sangue em transportá-lo, etc.), controlando a dose de anestésico usada na manutenção, bem como a reposição de fluidos (soro e sangue).

O anestesista é o responsável pela segurança do paciente no período imediatamente antes, durante e logo após o fim da intervenção, o chamado período peri-operatório.

A anestesia tem a duração necessária para que seja efetuado o procedimento; o anestesista prescreve ainda a analgesia no pós-operatório imediato.

 

Possíveis complicações:

O maior número de mitos em relação à anestesia prende-se as complicações que daí podem resultar.

De um modo geral, o risco de sofrer complicações devido à anestesia no período peri-operatório é pequeno, especialmente com o desenvolvimento de equipamentos de monitorização, técnicas e fármacos cada vez mais seguros e estando os anestesistas cada vez mais bem preparados.

Estes riscos dependem também do estado pré-operatório do paciente (idade, obesidade, doenças prévias, medicamentos que toma, tabagismo, etc.), do tipo de cirurgia que vai ser efetuada e do caráter do procedimento (urgente ou de rotina).

O medo da anestesia assemelha-se muito com o medo de andar de avião: todos os dias são realizados milhares de vôos sem qualquer acidente, contudo quando ocorre um acidente ele é geralmente aparatoso e, logo, amplamente divulgado.

Existem complicações menores (de menor importância) e complicações maiores (que colocam a vida do paciente em risco).

As complicações também podem ser divididas em frequentes e raras.

 

Os problemas mais comuns são:

  • Náuseas e vômitos pós-operatórios (podem resultar da anestesia ou da cirurgia);
  • Dores de garganta (relacionadas com o tubo usado na anestesia geral);
  • Dores de costas (pela técnica anestésica ou posição durante o procedimento);
  • Cefaléias (dores de cabeça) por anestesia regional, stress ou jejum prolongado;

 

Raramente podem ocorrer:

  • Problemas cardíacos e respiratórios;
  • Lesões nervosas (pela técnica anestésica, posição durante o procedimento);
  • Acordar no intra-operatório (durante a anestesia geral) é uma preocupação frequente, na prática pode variar do recordar uma conversa até ao recordar estar paralisado e sentir dor;
  • Lesão dentária (por instrumentos cirúrgicos ou anestésicos);
  • Reações anafiláticas aos fármacos anestésicos (alergias);

 

*Dr. José Carlos de Mello é  membro da Sociedade Brasileira de Anestesiologia e médico-anestesista do Instituto Nacional de Ortopedia e Traumatologia.